segunda-feira, 17 de agosto de 2009

prefácio a São Petersburgo; Kizhi e os carpinteiros poetas

O trem atravessou a guardada e aguardada fornteira russa... Como se ali ela não estivesse mais. E, na verdade, como viemos a saber mais tarde, ela de fato não está: Minsk e Moscow acertaram a abertura de suas fronteiras comuns. Depois de chacoalhar a noite toda num surpreendentemente confortável trem russo de terceira classe, chegamos a São Petersburgo um pouco confusos, ainda sem saber que o carimbo de entrada bielorrusso servia também para acalmar os famosos e exigentes oficiais da imigração russa. Alguns canais e fachadas decoradas mais tarde, deixamos os mochilões em nosso futuro albergue e, livres dos pesos e volumes, fomos passear na antiga Leningrado, antes que partisse mais um trem, dessa vez às 22h02 e para o norte da Rússia.
O destino era Petrozavodsk, na República da Karélia, provínica russa que goza de certa autonomia, em nome do povo karélio, parente dos finlandeses, que vivem logo ali, do outro lado da fronteira. Mas Petrozavodsk, onde chegamos na manhã seguinte, era menos um destino em si do que o ponto de partida para Kizhi, a ilha das igrejas de madeira que tanto nos encantava desde quando vimos a capa do guia Lonely Planet. Uma hora de barco depois, no meio do lago Onega e de muitas nuvens cinzas, despontaram os primeiros domos de madeira. Esses, como a maior parte dos domos ortodoxos russos, apesar de construídos para lembrar chamas de vela, parecem mesmo cebolas, como costumam ser chamados. E Kizhi é mais um museu a céu aberto, como muitos outros na Rússia. Apesar de a proposta não ser tão original, Kizhi se destaca. E não exatamente pelo fato por si só notável de que todas suas construções, sempre de madeira, ficam de pé sem um prego sequer. Kizhi é um pedaço de terra de grama muito verde, rodeado por um lago azul escuro e, constantemente varrido pelo vento, parece um pedaço de fim de mundo ou algo nas redondezas. E a catedral é feita de toras e lascas de madeira, empilhadas em curvas inusitadas, quase tudo caindo, uma espécie de Torre de Pisa do norte. Posto que indescritível, encerramos por aqui, com algumas tímidas fotos e dizendo apenas: lindo demais.

preface to Saint Petersburg; Kizhi and the poet carpenters
The train went through the well guarded and anticipated Russian border... As if it wasn't there anymore. And, actually, as we later came to know, it actually isn't: Mink and Moscow arranged an open borders agreement. After shaking inside a quite confortable russian third class train all night, we arrived in St. Petersburg a little dizzy, not yet knowing that the bielarussian stamp would also serve to calm down the famous and demanding russian imigration authorities. Some canals and decorated façades later, we left our luggage in our future hostel and, free from the wheights and volumes, went for a stroll in the old Leningrad, before the train left once again, this time at 22h02 to the North of Russia.
The destination was Petrozavodsk, in the Karelia Republic, Russian province which has a certain amount of autonomy, on behalf of the Karelian people, related to the Finnish, who live right over the border. But Petrozavodsk, where we arrived on the next morning, was less of a destiny than a starting point to Kizhi, the island of the wooden churches which awed us since we first saw it on the cover of Lonely Planet Guide book. One our on a boat later, in the middle of lake Onega and amidst many gray clouds, appeared the first wooden domes. These, like most of the russian orthodox domes, although built to resemble candle flames, look a lot like onions, the name with which they are usually referred to. Kizhi is also another of the several open air museums in Russia. However, although the idea is not original, Kizhi stands out. And not exactly for the remarkable fact that all its constructions, always made of wood, stand without the help of a single nail. Kizhi is a piece of land with very green grass, surrounded by a dark blue lake and, constantly blown by the wind, seems like a part of the end of the world ou something along those lines. And the cathedral is made out of logs and chips of wood, piled in out of the ordinary shapes, almost tumbling, a sort of Tower of Pisa from the North. Since it's indescribable, we end this post here, with some timid pictures and saying simply: so beautiful.